18:09

Wonderwall

Poema
Tempo Estimado de Leitura: 4 min

Não me entenda mal.

Não preciso saber.

Não preciso falar.

Não preciso encontrar.

Não preciso resolver.

Não preciso mais descobrir o que você sentiu.

Não preciso mais fazer coisa alguma.

Eu te amava.

Eu queria me casar com você.

Eu fiquei com outra pessoa enquanto ainda sentia isso.

E por sentir isso, precisei, portanto, fingir que não...

para conseguir continuar vivendo.

Eu tentei de verdade... te substituir.

Eu te culpei mesmo.

Sem nem pensar no que você poderia estar sentindo.

Sem cautela.

Eu não percebi tantas das coisas que você estava tentando me mostrar.

Meu ponto cego.

Eu tive pressa.

Eu nem sabia que tinha pressa.

Talvez eu tenha te machucado.

Mesmo assim, você ter permanecido...

por quê...?

Talvez estivesse apenas intrigada.

Talvez houvesse esperança.

Uma chama ainda incandescente?

Talvez ainda promessa.

Vínculo.

Talvez houvesse uma dinâmica que nenhum de nós entendia.

Talvez tudo isso junto.

Eu não soube cuidar suficientemente bem daquela situação.

Você, no auge de dezoito primaveras.

E mesmo que eu fosse também apenas um garoto,

eu devia ter cuidado melhor do seu coração.

Sinto muito.

E ainda assim, meras palavras tampouco expressam.

Apenas sinalizam,

como faróis em dias tempestuosos.

Sinto muito.

Não escrevo isso para me absolver.

Faço-o para compreender.

Busco ainda construir uma vida que não me impeça de admitir que esse sentimento foi e é real.

E mesmo quando a decisão inequívoca for não agir.

Quando amar alguém significar respeitar a distância.

Mesmo que você não possa nunca, nessa vida, ser minha.

E mesmo se, por um milagre, eu encontrar um espírito que mexa com o meu como o seu mexeu,

eu poderei realmente amar novamente?

E não mais porque preciso que alguém ocupe o seu lugar.

Talvez essa seja a grande diferença entre o amor que estou tentando compreender

e o amor que quero viver daqui para frente.

Eu não preciso mais provar que você era a pessoa certa.

Não preciso descobrir se o destino nos separou por algum motivo.

Não preciso mais descobrir se ainda sinto alguma coisa.

Preciso apenas aprender a não abandonar mais a minha própria verdade

para construir uma vida confortável ao redor dela.

Eu finalmente estou permitindo que ela exista.

Sem precisar transformá-la em ação.

Sem precisar transformá-la em relacionamento.

Sem precisar transformá-la em destino.

Eu amei.

Eu amo.

É egoísmo dizer que isso foi e é real para mim?

Eu deveria ter tratado tudo isso com mais cuidado.

E agora vou aprender a tratar meus sentimentos,

e os sentimentos das pessoas que eu amar,

com mais honestidade,

paciência

e consideração.

Mas meu coração vai ter que carregar esse peso.

E por tantos ciclos... se fez restrito, sem poder expressar,

preso em simples veredito.

Palavras tão elegantes que não me permiti mais proferir.

Sentimentos que me culpei por sentir.

Os quais não foram claramente declarados.

E os desenhos que não chegaram a existir.

As juras, poemas e as outras expressões de amor.

Suprimidas.

Escondidas.

Reduzidas.

Ardor.

Silêncio e inércia, e mesmo assim,

verdade gritante, ecoante,

vibrando sem ter onde reverberar,

sem poder prosperar, se enraizar,

sem poder viver ou morrer,

sem poder sonhar ou meramente desejar.

Uma oração tão simples.

Um sujeito, um objeto e uma ação eterna.

A chave mais bonita foi um presente seu.

Talvez sem saber. Sem querer.

Ou por desejo maior de prescrever.

Talvez através de preces, ou orações.

Quem sabe desejos não proferidos,

de respostas nunca concedidas.

Essa chave destranca a fechadura mais complexa e assustadora que eu já fiz na vida.

E, mesmo que pareça que não tenha sentido,

sem essas correntes posso me olhar de frente.

E, de agora em diante, quando ouvir uma música de amor,

onde a melodia carrega desencontros e dor,

eu possa me pôr nos seus sapatos, para variar.

Seria muito egoísmo acreditar que esse amor nunca foi unilateral?

Será que eu posso acreditar que, em algum lugar nesse universo maravilhoso,

seu coração, nem que por um segundo, sentiu o mundo parar

pensando em mim?

Como foi pra mim, quando eu te beijei.

É egoísmo?

É vergonhoso?

Dizer que, no fundo do coração,

foi sempre o que eu desejei.

Uma oração tão prática.

Eu te amo.