Um poema para Emily

E que, mesmo assim, enquanto durar, possamos escolher um ao outro sem questionar.

PoemaPessoal

A beleza que ela tem,

não é difícil de explicar,

como a brisa:

a força está na constância do soprar.

O coração que eu roubei

nunca foi meu.

Paixão, desejo, amor?

Difícil de explicar.

Roubado.

Não do dono,

fragmentado.

Apenas de mais um soldado,

trajado de projeções;

máscara emprestada.

Ainda assim, me sinto

culpado.

Eu mesmo já fui

derrotado.

Ah, sim, carinho.

Redobrado.

Confiança cativa.

Devaneios em noites corridas:

eu e você.

Corações restritos

prescrevem nossas histórias.

Nossa história de atritos e conflitos,

risadas, carícias e corpos despidos,

momentos de paz, guarida.

Suas tranças, tons,

risadas, suspiros e sons.

Respiração ofegante,

e o desejo ardente

de esquecer

através do prazer.

Os receios

e nossos recreios.

Queria te dar meu coração.

Complicação.

Pois não é meu para te dar.

Ou que você pudesse me amar,

talvez as peças encontrar,

encaixar

e os corações apaziguar.

Talvez assim eu pudesse tirar

as fardas que te tiram o ar,

expectativas que parecem

apenas postergar,

nunca findar.

Queria ter as respostas,

ter ganho as apostas.

Para te dar

não só ouro e tesouros,

mas também restaurar

o sossego do seu olhar,

a certeza

que tanto busca encontrar.

O futuro sempre é incerto,

não só para os amantes,

mas para todos.

Afinal, somos errantes,

intolerantes,

pedantes.

E, mesmo assim, se eu puder ser

a companhia da sua dor,

você pode ser

a bainha do meu amor.

Seja como for.

Seja o que o destino quiser.

E que, mesmo assim, enquanto durar,

possamos escolher um ao outro

sem questionar.

E quem sabe,

nos apaixonar.