Alquimia
O que é da terra,
da água, do fogo e do ar.
A fábrica, e a rubrica.
Todo trabalho, meticuloso.
Gradativo, que destila e decanta.
Configura e reconfigura.
Tudo que nasce do que morre.
Tudo que vive na morte.
Cada parte, importante.
O sol busca a lua, a lua busca o sol,
e, por buscarem, só se encontram no acaso.
Ou divino.
O que nasce puro, se corrompe.
E a corrupção anseia a pureza.
O antídoto.
A beleza.
E o que é uma resposta sem a sua pergunta?
Como a sombra da luz.
Como a cachoeira, que um dia começou a cair, e um dia há de terminar.
A resposta da pergunta.
Sem o processo, é trivial.
A pedra filosofal é um objeto.
Imaterial.
E os metais, metáforas.
Há uma tremenda beleza em transmutar.
E o que antes oxidava, era rígido,
torna-se maleável.
Não oxida mais.
O verdadeiro ouro.
Transmutado.
E a alquimia, que tanto parece inacessível,
são meras palavras, como poemas.
Ritos de magia.
A intenção.
Transforma a dimensão.
O ouro, e a chama,
o verdadeiro fogo de Prometeu.
O fruto da serpente.
Mesmo assim, as chaves,
garantidas, para as quais a serpente deve se curvar.
E as labaredas, não mais chamuscar.
E nossos símbolos são as pontes que não podemos cruzar.
Como eu,
sou a ponte para quem?
Para quem se sentir curioso para atravessar.
Não sou ninguém.
E, por não ser, o espírito se faz.