Irreverente

Poema
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Em dias como esses,

o mundo continua em chamas,
os corações ainda confusos.

Homens e mulheres sem dúvidas.
Preocupados com tudo,
quando as mãos não alcançam.

Essas mulheres e homens
esperam que lhes contem a verdade
dos fatos, o porquê de certos atos.

Mas entenda: você não passa de
um rato. Condecorado. Mas rato.

Não me leve a mal,
mas sua sopa falta sal.

E depois, esses rótulos são emprestados.

Pô, então segure-se no seu quadrado.

Não há necessidade de ficar exaltado.

Agora eu é que sou mal-educado?

Apontar a simples verdade de que você
nunca foi coroado?

Isso não deveria te incomodar.
Ser amado.

Pensa, criança.

E talvez senta.

Na cadeira, obviamente. Ou no sofá.

Pois nem tudo que você pensa
é você quem pensa.

Certos pensamentos
são como encantamentos.

Jogos de palavras de pessoas bem espertinhas,
que conversam nas entrelinhas,
enquanto você caça estrelinhas.

Não levante ainda.

Há de ser dito: o que progride?

E quando você aprendeu a diferenciar
o que é o quê?

E todo dito progresso, imagino,
deve ser querido.

Mas uma direção
não comprova suas intenções.

Quanta bobagem!

Acreditar que, na verdade,
é porque tudo está por falhar.

Então o problema são os indivíduos?

As estruturas, imagino, foram arquitetadas
pra você viver bem.

Sim, você quem arquitetou?

E pensa: se existe algo que pode dobrar o indivíduo,
o que seria? E quem controla?

Mas, pelo amor, usa a sua cabeça.

Não me chama de pessimista,
ou realista,
muito menos idealista.

Mas olha pra borra da frente? Talvez?

Sim, eu falei borra,
mas poderia ter escrito baralho.

Aí seria:

“Olha pra frente, baralho.”

Melhor rir um pouco desse circo montado.

Deixar bem claro.

Tipo tiro certeiro.

Escolha qualquer vocação,
isso não é preocupação pra ninguém.

É só desenhar as linhas
do tablado.

Os corredores e opções.

Controlar reações.

Ah, mas é impossível!

Na verdade, é tão fácil quanto fazer um misto.

Só seguir um passo a passo.

Um passo de cada vez.

Meninos e meninas,
esse jogo é assimétrico.

Crianças, repitam comigo:

Somos enganados por mulheres e homens.
Desde a concepção.

Então me deixa rir,
ou mesmo ria de mim.

Mas ria.

Essa loucura precisa de uma suspensão
pra limpar a visão.

Ria da sua dor,
ria dos sacrifícios em vão.
Ria da falta de pão.

Seja um bufão.

O chato é que os palhaços
de hoje não têm graça.

São figuras tristes.

Um momento de silêncio
pela morte da comédia.

Não me entende?
Não me sente?

Pera aí...

Calma aí, sem tanta intimidade.

Não é nem ato de caridade.
Nem vaidade.

Quero que se escorra.