Casamento
Cuidado.
Nada é o que parece.
O que é bom, e o que é ruim,
não é tão fácil de discernir.
Felicidade, sem virtude, é vaidade.
Amor, sem compromisso, é egoísmo.
Redobre o cuidado.
Estar vivo incorre em certas responsabilidades.
Embora o sedutor seja desvincular-se,
agir como a última bolacha do pacote...
E, na vida, cada passo conta,
compasso.
Toda respiração, intenção.
Então, não desvie o olhar.
Quando aparecer, o pecado exige
que o reconheça e, enfim, recuse-o.
Mude.
Altere.
Regresso.
Como reconhecer o bem sem encarar o mal?
Pois escolhas automáticas também são parte do problema:
não exigem presença.
Então, somos todos responsáveis, não em meras práticas,
nem em políticas de boa vizinhança.
E, mesmo na busca pela felicidade, trair a si mesmo nunca dará bons frutos.
Os fins nunca justificam os meios.
Novamente, o problema dos mapas e do que foi mapeado.
Quem trocaria uma pessoa por um perfil?
Ouça seu coração,
que expande e comprime.
O frio e o calor,
como o próprio mundo.
Ele sussurra;
Ele ensina.
Aquiete-se.
Respire.
De olhos fechados.
Inspire.
Tu sabes como eu sei.
Tudo que vai volta,
e nem tudo que se solta desprende.
Dívidas.
Devo isso a mim mesmo:
integridade, a estrutura da alma.
Guardada,
expressada,
realizada.
Pois, no fim, sou eu com Ele.
Tudo que se profere se dirige primeiro a Deus.
Depois, ao universo.
Depois, a si mesmo.
E, finalmente, ao outro.
Lembre-se disso, pois suas palavras,
quando se dissipam da intenção, podem tão somente enganar os outros
e até a si mesmo.
Mas o infinito, o espaço,
os ciclos e os grupos, o próprio espaço que seu corpo ocupa,
não vai saber do seu coração?
Pense, suplico.
Repense.
Pois a coisa certa nunca é fácil de entreter.
O caminho justo raramente é transponível sem confiança.
Então mude,
no bom Espírito.
Pecadores, todos somos.
Esse não é realmente o ponto.
E não pense que as palavras bonitas me eximem, ou mesmo as confissões.
São os degraus a subir, as montanhas a escalar.
E a fé move montanhas.
Então, não se preocupe.
Não tenha medo.
Muito menos se intimide, mas seja humilde.
Um salto de fé.
Embora acumule, por milagre, todo conhecimento
e os tão obstinados segredos, lembre-se sempre
de que a dúvida e a razão são as ferramentas do espírito prudente.
E equilibrar os opostos é parte da nossa herança divina.
Como o eclipse.
Quando os opostos se tocam, as portas para o sagrado se abrem.
Tenha honra de estar vivo.
De ser o mistério em atuação.
Esse corpo é nosso casulo, e, quando a hora chegar,
eclodiremos no próprio bom espírito: o fim da disparidade.
E também do movimento.
Então, sim: o sofrimento,
tem que fazer parte para que rompamos as barreiras.
Então, se é assim que deve ser...
Como é.
Posso mesmo continuar.
Esse, para mim, é o ser humano.
Continuar.
Sem garantias, sem respostas, sem resolução.
Um eterno movimento.
A própria persistência.
Essa é a nossa essência.
Então não deixe os argumentos dos desatentos rastejarem em seu templo.
Muito menos ocuparem o momento.
Reivindique a si mesmo,
pois a consciência e a responsabilidade,
o amor e o compromisso,
a felicidade e a virtude,
são todos sagrado matrimônio.
Casamento.