Casamento

Poema
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Cuidado.

Nada é o que parece.

O que é bom, e o que é ruim,

não é tão fácil de discernir.

Felicidade, sem virtude, é vaidade.

Amor, sem compromisso, é egoísmo.

Redobre o cuidado.

Estar vivo incorre em certas responsabilidades.

Embora o sedutor seja desvincular-se,

agir como a última bolacha do pacote...

E, na vida, cada passo conta,

compasso.

Toda respiração, intenção.

Então, não desvie o olhar.

Quando aparecer, o pecado exige

que o reconheça e, enfim, recuse-o.

Mude.

Altere.

Regresso.

Como reconhecer o bem sem encarar o mal?

Pois escolhas automáticas também são parte do problema:

não exigem presença.

Então, somos todos responsáveis, não em meras práticas,

nem em políticas de boa vizinhança.

E, mesmo na busca pela felicidade, trair a si mesmo nunca dará bons frutos.

Os fins nunca justificam os meios.

Novamente, o problema dos mapas e do que foi mapeado.

Quem trocaria uma pessoa por um perfil?

Ouça seu coração,

que expande e comprime.

O frio e o calor,

como o próprio mundo.

Ele sussurra;

Ele ensina.

Aquiete-se.

Respire.

De olhos fechados.

Inspire.

Tu sabes como eu sei.

Tudo que vai volta,

e nem tudo que se solta desprende.

Dívidas.

Devo isso a mim mesmo:

integridade, a estrutura da alma.

Guardada,

expressada,

realizada.

Pois, no fim, sou eu com Ele.

Tudo que se profere se dirige primeiro a Deus.

Depois, ao universo.

Depois, a si mesmo.

E, finalmente, ao outro.

Lembre-se disso, pois suas palavras,

quando se dissipam da intenção, podem tão somente enganar os outros

e até a si mesmo.

Mas o infinito, o espaço,

os ciclos e os grupos, o próprio espaço que seu corpo ocupa,

não vai saber do seu coração?

Pense, suplico.

Repense.

Pois a coisa certa nunca é fácil de entreter.

O caminho justo raramente é transponível sem confiança.

Então mude,

no bom Espírito.

Pecadores, todos somos.

Esse não é realmente o ponto.

E não pense que as palavras bonitas me eximem, ou mesmo as confissões.

São os degraus a subir, as montanhas a escalar.

E a fé move montanhas.

Então, não se preocupe.

Não tenha medo.

Muito menos se intimide, mas seja humilde.

Um salto de fé.

Embora acumule, por milagre, todo conhecimento

e os tão obstinados segredos, lembre-se sempre

de que a dúvida e a razão são as ferramentas do espírito prudente.

E equilibrar os opostos é parte da nossa herança divina.

Como o eclipse.

Quando os opostos se tocam, as portas para o sagrado se abrem.

Tenha honra de estar vivo.

De ser o mistério em atuação.

Esse corpo é nosso casulo, e, quando a hora chegar,

eclodiremos no próprio bom espírito: o fim da disparidade.

E também do movimento.

Então, sim: o sofrimento,

tem que fazer parte para que rompamos as barreiras.

Então, se é assim que deve ser...

Como é.

Posso mesmo continuar.

Esse, para mim, é o ser humano.

Continuar.

Sem garantias, sem respostas, sem resolução.

Um eterno movimento.

A própria persistência.

Essa é a nossa essência.

Então não deixe os argumentos dos desatentos rastejarem em seu templo.

Muito menos ocuparem o momento.

Reivindique a si mesmo,

pois a consciência e a responsabilidade,

o amor e o compromisso,

a felicidade e a virtude,

são todos sagrado matrimônio.

Casamento.