Querida Vida
Árvores, esquecidas, retorcidas, desidratadas, mesmo despidas.
Vida, querida guarida
Árvores, esquecidas, retorcidas,
desidratadas,
mesmo despidas.
Oferecem abrigo,
aceitam o destino,
mesmo sem vida.
Do natural ao artifício,
ossos do ofício,
se perde em ruído.
Ainda que incompleto,
sentido.
Ou completamente perdido.
A flor e o espírito,
duas faces do mesmo rito.
O botão, a redenção.
O florescer é o sacro ofício,
a beleza, seu produto,
o mundo, seu fruto.
Vida, enfrente e precisa.
Serei teu eterno estudante,
mantendo os olhos limpos,
de agora em diante,
em direção ao destino.
Irreverência, desapego,
silêncio,
perda da intimidade,
espelho partido.
Espero que encontre o que busca.
E, se sentir-se perdido,
apenas um novo caminho.
Ah, respostas,
como são fugazes,
inalcançáveis.
Deixe-as ir
e não olhe para trás.
Não por ressentimento,
como a folha que é carregada pelo riacho.
Deixe que as correntes
levem-te
aonde pertence.