Querida Vida

Árvores, esquecidas, retorcidas, desidratadas, mesmo despidas.

PoemaPessoal

Vida, querida guarida

Árvores, esquecidas, retorcidas,

desidratadas,

mesmo despidas.

Oferecem abrigo,

aceitam o destino,

mesmo sem vida.

Do natural ao artifício,

ossos do ofício,

se perde em ruído.

Ainda que incompleto,

sentido.

Ou completamente perdido.

A flor e o espírito,

duas faces do mesmo rito.

O botão, a redenção.

O florescer é o sacro ofício,

a beleza, seu produto,

o mundo, seu fruto.

Vida, enfrente e precisa.

Serei teu eterno estudante,

mantendo os olhos limpos,

de agora em diante,

em direção ao destino.

Irreverência, desapego,

silêncio,

perda da intimidade,

espelho partido.

Espero que encontre o que busca.

E, se sentir-se perdido,

apenas um novo caminho.

Ah, respostas,

como são fugazes,

inalcançáveis.

Deixe-as ir

e não olhe para trás.

Não por ressentimento,

como a folha que é carregada pelo riacho.

Deixe que as correntes

levem-te

aonde pertence.